terça-feira, novembro 29, 2016

O papel da mídia tradicional e das mídias sociais nas eleições presidenciais americanas de 2016.


Ontem logo cedo recebi um e-mail com a divulgação do painel de discussão: "What happened? The role of traditional and social media in the 2016 Election". Não pensei duas vezes e me inscrevi para participar. O evento foi promovido pelo Departament of Communication da University of Washington e pela Communication Leadership.

Algo bem interessante nos eventos que participei até agora na UW é que nesse tipo de painel as falas são rápidas para abrir o tempo para as perguntas e possibilitar o diálogo. No Brasil muitos eventos tentam essa dinâmica, mas, nem sempre conseguem por inúmeros motivos: palestrante que ultrapassa o tempo e por ser estrela não é interrompido, palestrante que é interrompido e mesmo assim segue adiante, evento que começa atrasado e a primeira coisa a ser cortada são as perguntas. Isso torna o evento pouco produtivo e chato, afinal o público sempre busca a interação. Por isso, #ficaadica.

Destacarei três temáticas que foram levantadas nas falas e no momento das discussões que me chamaram a atenção:

- Devemos dar suporte às mídias locais: Joanne Silberner (@jsilberner) destacou que se estamos surpresos com o resultado das eleições americanas isso acontece por dois motivos: não damos atenção às mídias locais e/ou não sabemos selecionar a informação a ser consumida na mídia. Ela citou a mídia local (Seattle Times, The Stranger, etc...) que alertou sobre a visível possibilidade de vitória de Trump e disse que temos que parar de ler apenas New York Times e Washington Post. 

Resposta do Department of Communication à menção aos bibliotecários
- Media LiteracyComo conclusão, Joanne Silberner, explicou que a questão da media literacy é fundamental, atualmente, para proporcionar que as crianças aprendam a selecionar a informação a que tem acesso nas mídias sociais e internet em geral. Nesse momento da sua fala, levantei no twitter a questão que esse é um dos papeis do bibliotecário nas bibliotecas escolares e universitárias, principalmente. A resposta foi super positiva e, inclusive, despertou o interesse do departamento de comunicação em ouvir a opinião de um bibliotecário especialista no assunto. Muito já tem se falado sobre "media literacy"nos Estados Unidos, uma busca rápida na base de dados Scopus retorna aproximadamente 1500 documentos sobre a temática.

- The buble - Monica Guzman @moniguzman) falou sobre a forma como fornecemos informação para as mídias sociais e como isso restringe ainda mais a bolha em que vivemos. Citou como exemplo as pessoas que postavam no facebook e twitter, especialmente, rejeitando comentários contrários aos seus pensamentos, por exemplo, "Se você continuar falando bem sobre Clinton e como a sua plataforma política será efetiva, pode se retirar"! Quem de nós nunca leu uma postagem parecida na sua timeline sobre os acontecimentos políticos no Brasil? Esse tipo de postagem "diz"para os provedores das mídias sociais que você só quer acessar conteúdo sobre a favor de Trump. Ou seja, você está indiretamente permitindo que o conteúdo que você acessa seja filtrado. Entretanto, muitos não percebem como isso limita o seu desenvolvimento crítico, a capacidade de empatia e análise de conjuntura.

No geral, a opinião geral é que tanto a mídia tradicional quando as mídias sociais tiveram papeis importantes nas eleições presidenciais. Chega-se a essa conclusão, tendo em vista que, por exemplo, o número de usuários do facebook hoje é 10 vezes mais do que em 2008, quando Barack Obama tornou-se o primeiro "Digital President". Em 2016, Donald Trump utilizou essas plataformas para contar suas próprias verdades e muitos eleitores acreditaram nelas. As mídias tradicionais tentaram convencer que não havia possibilidade de vitória para Trump, e o cenário apresentado no dia 9/11/2016 foi totalmente diferente.

segunda-feira, novembro 14, 2016

O método da cumbuca

Meu colegas de graduação sabem exatamente o que o título deste post significa. Em 2006 uma nova professora chegou ao Curso de Biblioteconomia da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Prof. Delsi Fries Davok com uma nova forma de ensinar para uma turma do terceiro ano, o método da cumbuca.

Cumbuca

Ao apresentar o plano de aula para o semestre, a diligente professora explicava que utilizaríamos o método da cumbuca em parte do semestre, quando seriam apresentados os seminários. Muito empolgada, a Prof. Delsi no explicava que a cada semana receberíamos designações de leituras para os seminário e todos deveriam ler os textos e estar preparados para discutir o texto em sala de aula. A cada encontro, o nome dos participantes seria colocado em uma cumbuca (daí o nome do método) e o sorteio seria feito no início de cada seminário. A pessoa sorteada seria a responsável por iniciar a mediar as discussões sobre o texto em questão. 

Nós, como alunos contestadores e mal acostumado que éramos, discordamos do método que a Prof. Delsi Frie Davok tão bem intencionada (hoje reconheço suas boas intenções) nos apresentava. Discordamos de tal modo que fizemos ela mudar de ideia. Os argumentos foram diversos: não tínhamos tempo para tanta leitura, a professora queria colocar em nossas mãos a responsabilidade pelas aulas, aquela não era a única disciplina que cursávamos, alguns culparam os filhos, o cachorro e o papagaio. Enfim, o método da cumbuca não foi utilizado.

Estou contando esta história porque tenho refletido a algum tempo o quão efetivo o método teria sido para a minha formação profissional e acadêmica. A verdade é que lembro do método da cumbuca desde as a aulas da Prof. Patrícia Marchiori, quando método parecido foi utilizado durante o mestrado na UFPR, em praticamente todas as aulas do doutorado na UNESP e, agora, nas aulas que estou participando como ouvinte na University of Washington (UW)

Minha perspectiva é diferente, hoje percebo que se estivesse aberta para esse método de ensino há alguns anos atras, minha forma de olhar os textos que leio hoje seria diferente. Tenho percebido que sou pouco crítica em minhas percepções sobre as leituras que faço, não que não possa ser desenvolvido, mas, esse seria o momento para essa habilidade estar presente em minha vida como acadêmica. Claro que isso também tem muito a ver com o modo de encarar o mundo dos americanos, tenho aprendido a cada segundo que converso com um colega, participo de uma discussão sobre um texto, filme, música. 

Portanto, você que quer ter uma visão mais ampla e clara do mundo, não reclame pelo número de páginas de um texto que o professor designar para leitura ou do método de ensino, antes reflita quanto ele pode contribuir para o seu aprendizado, quanto ele vai lhe impulsionar para você se tornar alguém mais crítico e com uma visão de muito mais ampla. Cobre de você mesmo, faça mais do que lhe é solicitado, faça mais e melhor do que tem feito, só assim suas metas serão alcançadas e seu esforço reconhecido.

Esta é uma forma de também prestar homenagem e agradecer a grande mestre que foi a Prof. Delsi. Muito obrigada!

segunda-feira, novembro 07, 2016

Qual o meu papel como pesquisadora para minimizar os preconceitos na academia e na ciência?

Estou assistindo como ouvinte à disciplina Faculty Seminar na iSchool da University of Washington como parte de minhas atividades como bolsista CAPES/Fulbright. Semanalmente temos um ou dois textos para ler e, durante a aula, um aluno apresenta, outro critica e a turma é responsável por participar do debate.

Desde a primeira aula passamos pelas mais distinta temáticas e. as questões de gênero, raça, ética e o papel da ciência sempre vem a tona nas discussões. O principal questionamento gira em torno do nosso papel como cientistas e pesquisadores para reconhecer e preservar a diversidade de pensamento, opinião, cultura, etc. Como não deixar a margem aqueles que sempre foram excluídos pela sociedade? Qual o nosso papel frente a tudo isso?

Pela primeira vez eu me questionei quanto a isso nas aulas do doutorado no ano passado, especificamente durante as disciplinas "Bases epistemológicas para a organização do conhecimento" com o Prof. José Augusto Chaves Guimarães e "Teoria Crítica aplicada a Organização do Conhecimento" com o Prof. Daniel Martínez-Ávila. Foi com esses professores que abri meus olhos para as questões éticas em organização do conhecimento e também na ciência. 

Não fazemos ideia, ou simplesmente fechamos os olhos em nossa prática diária para os sistemas de organização do conhecimento que utilizamos e toda a carga de preconceitos neles contidas.

Alguém já parou para analisar as diferentes edições da Classificação Decimal de Dewey e reconhecer como ela é carregada de "bias" e tem o poder de marginalizar inúmeros grupos importantes para a sociedade? Sim, Melodie Fox e Hope Olson fizeram isso muito bem. No Brasil, Suellen Oliveira Milani também estudou as questões éticas na organização do conhecimento.

Na aula de hoje, uma colega destacou que nosso papel como pesquisadores é ter autoconsciência ao escrevermos nossos textos. Precisamos refletir sobre o conhecimento que estamos transmitindo. Concordo com essa afirmação e, isso não quer dizer que alcançaremos objetividade na ciência, mas, podemos evitar os preconceitos em nossas comunicações. Acredito que também devemos questionar e, dessa forma, essa autoconsciência aguçará o espírito questionador para reconhecer quais autores estão presos a esses preconceitos. Mais do que isso, precisamos buscar voltar nosso olhar para o contexto de onde se fala e compreender o ponto de vista de outros pesquisadores a partir de onde eles falam, do seu espaço, sua vivência.

O nosso trabalho em bibliotecas também é carregado de subjetividades, na catalogação, classificação e indexação, por exemplo. O livro "The Power to name" da Hope Olson evidencia muito bem isso. Também precisamos de autoconsciência nessa atividade tão rica e cheia de poder como a autora descreve.

De certa forma essas discussões tem auxiliado para a formação do meu senso crítico e reflexão sobre suposições da minha pesquisa sobre epistemologia da organização do conhecimento. Todo autor carrega consigo influências epistemológicas que influenciam seu pensamento, sua forma de escrita, suas afirmações, etc. Mais do que isso, tenho despertado para estudar um pouco mais essas questões que estão tão presentes em nosso dia a dia e, como profissional, posso tentar mudar ao menos um pouco essa realidade.


sábado, outubro 29, 2016

Northwest African American Museum

Northwest African American Museun
African Americans é como são conhecimento os cidadãos americanos com descendência africana e em Seattle, WA nos Estados Unidos há um museu que tem como missão "espalhar o conhecimento, compreensão, apreço pelas histórias, artes e culturas da pessoas de descendência Africana para o enriquecimento de todos". O nome do museu é "Northwest African American Museum" e ele cumpre essa missão especialmente de duas formas:
- "apresenta e preserva as conexões entre o Noroeste Pacífico e pessoas de descendência africana e";
- "investiga e celebra as experiências negas na América por meio das exposições, programas e eventos".

Northwest African American Museun

Nesse período que estou passando em Seattle tenho como meta conhecer pelo menos um novo lugar a cada semana, pois minha experiência por aqui como Fulbrighter não é apenas acadêmica, mas, também cultural. Por meio do serviço Museum Pass, da Seattle Public Library, esta semana eu consegui um ingresso para visitar o Northwest African American Museum e foi uma experiência muito interessante.

Dados sobre a população afrodescendente no Noroeste Pacífico

O museu não e muito grande, "The Jorney Gallery" é onde fica uma exposição fixa contando a historia da vinda dos afro-descendentes para a Noroeste Pacífico com destaque para pessoas que se envolveram no cenário político, que alcançaram grandes conquista e pessoas comuns que vieram em busca de seus sonhos. É uma exposição belíssima, repleta de detalhes das dificuldades que essas pessoas encontraram, do seu esforço e contribuição para fazer a costa oeste americana o que ela é hoje.
Divulgação de uma palestra com Martin Luther King Jr.

Também tive a oportunidade de apreciar a exposição "Dance Theatre of Harlem: 40 years of firsts" e conhecer a história das pessoas que lutaram por seus ideais e pela sua paixão pela dança clássica. Compõem a exposição fotografias, trajes dos bailarinos, sapatilhas, livros, cartazes de divulgação dos espetáculos, cartas, etc. 

Traje usado em um dos espetáculos do Dance Theatre of Harlem

Em uma das cartas expostas, encontrei a descrição da ida do dançarino e coreógrafo Arthur Mitchell (1934-) para o Brasil. Ele criou a primeira companhia de balé afrodescendente nos Estados Unidos e sua ida ao Brasil se devia ao fato de ele ser o diretor, professor e coreógrafo do recém formado grupo de Balé Municipal do Rio de Janeiro, RJ.
Carta de Karel Shook

Recomendo a visita ao Northwest African American Museum, é um experiência de reconhecimento da história americana que se confunde com as conquistas dos afrodescendentes nas Américas como um todo. Inicia hoje, 29 de outubro de 2016, uma nova exibição "Black Bodies in Propaganda" que com certeza também será um sucesso.

Sala de Leitura
Ao final da visita, fui conhecer a loja do museu e me deparei com uma pequena sala de leitura e um Centro de Pesquisa Genealógica, perfeito para um lugar como esse e para quem quer conhecer suas raízes. 

Centro de Pesquisa Genealógica


Jimi Hendrix Park

E, do lado de fora fica o Jimi Hendrix Park, homenagem ao cantor, compositor e guitarrista nascido de Seattle, afrodescendente que se destacou no cenário musical internacional especialmente por suas habilidade inigualáveis com a guitarra. 

Jimi Hendrix Park

segunda-feira, setembro 26, 2016

Thesis Statement: dica para aperfeiçoar a escrita do seu artigo científico

Acervo da Seattle Public Library

Tive a oportunidade de cursar o Short Term English Program (STEP): orientation to academic skills na University of Washington, um curso de inglês de curta duração oferecido pelo Departamento de Estado Americano por meio da Comissão Fulbright Brasil

O curso era voltado para conhecermos melhor o sistema de ensino universitário americano, conhecermos as regras, atividades requeridas, como escrever de forma acadêmica, etc. Uma das dicas mais importante que a Instrutora Jennifer Haywood compartilhou conosco foi a importância de apresentar uma thesis statement nos trabalhos acadêmicos, especialmente, Response Papers, Artigos Científicos, etc.

Como bibliotecária, considero o resumo a parte mais importante de um artigo científico, pois, é a partir dele que qualquer leitor pode identificar a relevância ou não daquele documento para o que está buscando. Atualmente, a quantidade de informação disponível é assustadora e pode desviar qualquer um da sua rota facilmente e resultar em uma perda de tempo tremenda. Por isso os resumos precisam ser claros, objetivos e apresentar exatamente o que o leitor encontrará no artigo.

Uma thesis statement cumpre um papel parecido, consiste em uma declaração geral sobre o assunto que será abordado no artigo, geralmente é apresentada em uma frase no final do primeiro parágrafo introdutório do artigo. Todos os argumentos apresentados posteriormente deverão sustentar essa declaração. Segunda a explicação da nossa instrutora Jennifer, uma thesis statement possibilita ao leitor reconhecer se deve ou não continuar a leitura, é possível fazer um julgamento se o trabalho em questão interessa ou não para os objetivos de pesquisa do leitor.

Cito aqui dois alguns exemplos:

Título do artigo: Motivação dos docentes para publicar em periódicos científicos.
Thesis statement: As motivações para os docentes publicarem em periódicos científicos variam entre motivações pessoais, profissionais e acadêmicas.

Titulo do artigo: Formação de leitores na Rede Municipal de Ensino de Curitiba, PR.
Thesis statement: A formação de leitores deve começar no convívio familiar e ser intensificada na escola e biblioteca escolar.

Aqui você encontrará uma explicação da University of North Caroline sobre a thesis statement.

Considero essa dica fundamental, especialmente, para a escrita de artigos que serão submetidos em âmbito internacional. Coincidentemente, um dos meus artigos que passou por peer review no início de 2016 foi aprovado, mas, retornou com uma observação para eu inserir no início do artigo qual a contribuição do meu artigo e, a partir da explicação do revisor pude reconhecer que se tratava da famosa thesis statement.

Acho, inclusive, que devemos adotar essa estratégia para a escrita acadêmica como um todo, bem como para a leitura, pois poupa muito tempo do leitor e torna o artigo mais atrativo.

sábado, setembro 24, 2016

Fulbrighter em Seattle, WA

Há um mês saí do Brasil rumo a Seattle, Washington nos Estados Unidos. Desde o início dos estudos para participar dos processos seletivos para o doutorado sonhei com esse momento, quando teria a oportunidade de vir em busca de conhecimento, cultura. novos contatos, amigos, uma nova vida.

Vista de Seattle, WA a partir do Ferry que vai até Bainbridge Island
Não tenho dúvida que esse tipo de oportunidade é transformadora na vida de qualquer pessoa. Eu não imaginava que seria por meio de um edital (que por sinal está aberto para nova seleção) tão bacana quanto o da Fulbright Brasil com a CAPES.

As primeiras três semanas foram intensas, tanto nas aulas do curso de inglês quanto nas atividades extra classe no período da tarde. Aliás, recomendo fortemente o Short Term English Program da University of Washington para aqueles que buscam aperfeiçoar o inglês, conhecer novas culturas e pessoas de todas as parte do mundo.

Turma do Curso de Inglês na UW
Desde agosto os Fulbrighters da seleção 2016/2017 tem compartilhado suas experiências por meio do blog Fulwriters, convido todos a acompanharem as postagens, pois, são 25 bolsistas espalhados pelos EUA, teremos muitas coisas legais para compartilhar. Também compartilharei minhas impressões por aqui, especialmente aquela ligadas às informação, biblioteconomia, bibliotecas, livros e leitura em Seattle.

Lake Union - Seattle, WA




segunda-feira, março 07, 2016

O mercado de trabalho para o bibliotecário

Esta é a semana de comemoração do Dia do Bibliotecário e, particularmente, acredito que é hora de comemoração mesmo. Só esta semana vi na minha time line quatro grandes oportunidades de trabalho para a nossa área, não dá para reclamar!

O que desmotiva um pouco é saber que há poucos bibliotecários brasileiros qualificados para essas vagas. É preciso compreender que o tempo de aprender não termina no último dia da graduação, qualquer profissional que pretenda ter uma boa posição no mercado precisa buscar qualificação com foco nos seus objetivos futuros. Para isso há inúmeros cursos presenciais e a distância disponíveis para todos os perfis, profissionalizantes de acadêmicos. Basta procurar!

Vale destacar que algumas dessas vagas não indicam o bibliotecário como possível profissional, mas, a descrição da atividade a ser desenvolvida é diretamente relacionada a nossa atuação. Cabe a você, bibliotecário destemido, candidatar-se à vaga e mostrar o seu potencial.

São essas as vagas divulgadas na semana que passou:

Bibliotecário da CIA

Collection Development Manager – South America na EBSCO

Grammasters no Netflix

Analista Técnico em Curitiba

Pesquisa e Decupagem e Gestão do Acervo na Globosat