quarta-feira, abril 19, 2017

Qualitative Data Repository (QDR)

Como aluna de doutorado e, neste último ano, trabalhando integralmente com minha pesquisa eu consegui também reservar boa parte do meu tempo para assistir à palestras em diferentes departamentos da universidade onde estou estudando. Para mim essa é uma das oportunidades mais instigantes na universidade, buscar conhecimento nas mais diversas fontes e encontrar pesquisadores que você conhece pelos livros, artigos, internet. Ouví-los pessoalmente e compartilhar conhecimento com eles é um privilégio.

Minha pesquisa não é relacionada à temática big science, big data, data science, etc. Entretanto, este é um tema que me interessa muito. Tive a oportunidade de assistir à palestra "Qualitative Research in the age of transparency" com o Dr. Sebastian Karcher, um dos idealizadores do Qualitative Data Repository (QDR).

Dr. Sebastian Karcher apresentou o Journal Editors' Transparency Statement (JETS), uma declaração conjunta de editores de periódicos de ciência política. Até o momento, 27 periódicos aderiram à declaração. A declaração prevê:

- que os dados citados nos artigos estejam disponíveis em repositórios confiáveis quando da publicação e que seja feita a indicação do repositório;

- requer que os autores esclareçam o método de análise dos dados e o acesso aos documentos da análise se estes não forem publicados no artigo;

- manter uma política de citação de dados consistente para aumentar o crédito que os criadores de dados e fornecedores recebem pelo seu trabalho. Exige-se que os autores que baseiam suas reivindicações em dados criados por terceiros se refiram e citam esses dados como um produto intelectual de valor.

- assegurar que o códigos de ética, manuais de publicação e outras formas de orientação sejam atualizados e expandidos para incluir melhores requisitos de acesso a dados e transparência de pesquisa.

Essa declaração pode servir como norte para os periódicos das áreas de ciências sociais e humanas que ainda não tem políticas de acesso e uso de dados de pesquisa estabelecidas.

O Qualitative Data Repository (QDR) armazena e compartilha dados digitais gerados ou coletados através de pesquisa qualitativa e multi-método em ciências sociais.  Inicialmente, o repositório tem ênfase em dados de pesquisas de ciência política. 

O palestrante abordou três pontos de discussão sobre dados de pesquisa qualitativa:

- Custos e logística
- Ética
- Questões epistêmicas e ontológicas

O terceiro item foi o que me chamou mais a atenção, pois trata das motivações para divulgar dados qualitativos, pois, ao contrário dos dados quantitativos aqueles não possibilitam a comprovação de hipóteses ou replicação de pesquisas (contrário a uma visão positivista). O autor ressaltou que a disponibilização desses dados contribui para:

- encontrar uma linguagem apropriada para uma tradição de pesquisa;
- abordagem consultiva à partilha de dados;
- busca de uma tecnologia de compartilhamento de dados que liga texto e dado.

Ouvimos muito falar sobre a preservação de dados de pesquisa, especialmente, das áreas de exatas. Ainda não conhecia um repositório de dados qualitativos acredito que o Qualitative Data Repository (QDR) é um ótimo exemplo.

terça-feira, abril 18, 2017

InfoCamp Seattle 2017


A chamada para o evento era: "An unconference for Seattle's Information Science and Technology community", uma desconferência para a comunidade de Ciência da Informação e Tecnologia de Seattle. Na mesma hora meu olho brilhou e lembrei do BiblioCamp do Brasil.

O InfoCamp Seattle 2017 aconteceu no dia 8 de abril no Mary Gates Hall na University of Washington, universidade onde estou desenvolvendo parte da minha pesquisa de doutorado. O evento tinha o custo de U$20,00 e a inscrição era feita on-line por meio do site. O InfoCamp começou às 8h 30min da manhã com o credenciamento, seguiu com o café da manhã e bate-papo entre os participantes. Às 9h 30min tiveram início as atividades relacionadas às apresentações que seriam feitas durante o dia.

Tenho participado de muitas palestras e conferências no período que estou nos EUA e percebi que as pessoas aproveitam de verdade o momento de networking. No InfoCamp, por exemplo, durante o café, conheci vários profissionais de diferentes áreas. As pessoas querem compartilhar suas experiência e conhecer as experiências dos seus pares.

O evento começou com a proposta de divisão dos participantes em grupos, conforme as cores que recebemos no credenciamento. Cada grupo discutiria quais temas gostaria de ouvir durante o InfoCamp e uma das temáticas escolhidas deveria ser apresentada por um ou mais participantes de cada grupo. 


Além das apresentações que foram sugeridas por cada grupo, os participantes do evento se voluntariaram para apresentarem diferentes temáticas ao longo do dia. Eu participei de duas sessões: "Tactics for making deep research information accessible to people who are experts in different domains" e "Mindfulness in the workplace". Durante cada sessão, um dos voluntário responsáveis pela organização do evento participada da sessão como ouvinte e fazendo anotações sobre o que era discutido. Essas anotações ficavam disponíveis para todos os participantes do InfoCamp e estes também poderiam inserir suas próprias anotações de forma colaborativa.



Outros temas muito interessantes foram discutidos, como: design para populações vulneráveis, mídias sociais e privacidade, política e mídias sociais, acessibilidade, arquitetura de informação, realidade virtual, etc.

Foi uma ótima experiência e, se eu fosse participar da organização do BiblioCamp novamente no Brasil, com certeza seguiria o modelo original a risca, apesar de culturalmente o Brasil ser diferente nesse sentido. Tenho dúvidas se teríamos tantas propostas de sessões como no InfoCamp Seattle 2017.

quinta-feira, março 02, 2017

Gallagher Law Library - University of Washington

Eu trabalho em uma biblioteca acadêmica jurídica há oito anos e sempre foi uma ótima experiência. Apesar de trabalhar em uma biblioteca, esse espaço precioso é um dos meus lugares favoritos para visitar quando estou viajando. Em minha experiência como pesquisadora visitante (Fulbright / CAPES scholarship) na University of Washington (UW), conhecer as bibliotecas do campus é uma das minhas atividades favoritas. Por isso, gostaria de apresentar minhas impressões sobre a Gallagher Law Library, uma das dezoito bibliotecas da UW.

Entrada da Gallagher Law Library
Como a maioria das bibliotecas, o horário de atendimento varia conforme o calendário acadêmico da universidade. A equipe é formada por 20 bibliotecários que atuam nos mais diversos setores: referência, organização da informação, desenvolvimento de coleções, circulação de materiais, etc. É importante destacar que todos esses profissionais são bibliotecários e, muitos deles também são graduados em Direito. É preciso destacar que o sistema de ensino nos EUA é diferente do brasileiros e as exigências para as mais diversas posições como bibliotecário em bibliotecas jurídicas são diferentes. A maioria das posições exige formação (mestrado na maioria das vezes) em Library Science. 

Entrada do Prédio do Curso de Direito da UW
O prédio do curso de Direito é muito moderno e bonito, a Gallagher Law Library fica no subsolo e tem uma ótima estrutura. Há muitas mesas para estudo em grupo, cabines de estudo individual, espaço para digitalização de documentos e cópia. 

Prédio do Curso de Direito da UW
Diferente das outras bibliotecas que já visitei na UW, esta tem alguns espaços destinados exclusivamente aos alunos do curso de direito. Eu destaco o Law Student Lounge, com paredes de vidro, sofás, computadores e mesas. É um espaço aconchegante de interação para os alunos de direito. É possível entrar utilizando o cartão de estudante e, somente os alunos do Curso de Direito estão autorizados.

Law Student Lounge
Cabines de estudo individual exclusivas para os alunos de Direito
Ao analisar os serviços oferecidos não identifiquei grandes contrastes com o que oferecemos no Brasil. Por exemplo, na Biblioteca de Ciências Jurídicas da UFPR também disponibilizamos scanners para o usuário digitalizar seus documentos. A diferença é que não temos um equipamento tão bom quanto o disponibilizado na Gallagher Law Library. Entre os serviços, eu destacaria que a Gallagher Law Library empresta, além dos materiais tradicionais: laptops, carregadores de computador, telefone e tablet, frisbee.

Copy Alcove
Destaco a estrutura e o conforto da biblioteca, há espaço para o crescimento do acervo, a entrada da biblioteca e os móveis são muito bonitos. Como a maioria das biblioteca americanas, é possível comer e beber dentro da biblioteca, por isso, muitas pessoas passam o dia lá dentro pesquisando, estudando, etc. Veja o bebedouro abaixo, dentro da biblioteca.

Bebedouros no interior da Biblioteca
Visão geral da Biblioteca
Gosto muito de conversar com docentes e alunos que conhecem bibliotecas fora do Brasil, é sempre uma troca valiosa. Entretanto, é muito frustrante quando docentes e alunos brasileiros têm experiências magníficas no exterior e retornam para o Brasil fazendo comparações rasas entre as bibliotecas estrangeiras e as bibliotecas brasileiras. Às vezes, não tem coerência com relação às comparações que estabelecem e, não quero dizer que não devemos observar e utilizar boas práticas, mas, sempre é preciso considerar a quantidade de recursos (humanos, financeiros, tecnológicos, etc) disponibilizados nos diferentes contextos.

Particularmente, algo que me chama muito a atenção nessa biblioteca é o mural, algo muito simples e comum em bibliotecas. Na Gallagher Law Library o mural é tão bem planejado que é impossível não chamar a atenção antes de entrar na biblioteca. Abaixo uma foto de uma parte do mural com indicações de leituras sobre diversidade.

Mural da Gallagher Law Library
A Gallagher Law Library é sem dúvidas uma referência para outras bibliotecas jurídicas.

terça-feira, novembro 29, 2016

O papel da mídia tradicional e das mídias sociais nas eleições presidenciais americanas de 2016.


Ontem logo cedo recebi um e-mail com a divulgação do painel de discussão: "What happened? The role of traditional and social media in the 2016 Election". Não pensei duas vezes e me inscrevi para participar. O evento foi promovido pelo Departament of Communication da University of Washington e pela Communication Leadership.

Algo bem interessante nos eventos que participei até agora na UW é que nesse tipo de painel as falas são rápidas para abrir o tempo para as perguntas e possibilitar o diálogo. No Brasil muitos eventos tentam essa dinâmica, mas, nem sempre conseguem por inúmeros motivos: palestrante que ultrapassa o tempo e por ser estrela não é interrompido, palestrante que é interrompido e mesmo assim segue adiante, evento que começa atrasado e a primeira coisa a ser cortada são as perguntas. Isso torna o evento pouco produtivo e chato, afinal o público sempre busca a interação. Por isso, #ficaadica.

Destacarei três temáticas que foram levantadas nas falas e no momento das discussões que me chamaram a atenção:

- Devemos dar suporte às mídias locais: Joanne Silberner (@jsilberner) destacou que se estamos surpresos com o resultado das eleições americanas isso acontece por dois motivos: não damos atenção às mídias locais e/ou não sabemos selecionar a informação a ser consumida na mídia. Ela citou a mídia local (Seattle Times, The Stranger, etc...) que alertou sobre a visível possibilidade de vitória de Trump e disse que temos que parar de ler apenas New York Times e Washington Post. 

Resposta do Department of Communication à menção aos bibliotecários
- Media LiteracyComo conclusão, Joanne Silberner, explicou que a questão da media literacy é fundamental, atualmente, para proporcionar que as crianças aprendam a selecionar a informação a que tem acesso nas mídias sociais e internet em geral. Nesse momento da sua fala, levantei no twitter a questão que esse é um dos papeis do bibliotecário nas bibliotecas escolares e universitárias, principalmente. A resposta foi super positiva e, inclusive, despertou o interesse do departamento de comunicação em ouvir a opinião de um bibliotecário especialista no assunto. Muito já tem se falado sobre "media literacy"nos Estados Unidos, uma busca rápida na base de dados Scopus retorna aproximadamente 1500 documentos sobre a temática.

- The buble - Monica Guzman @moniguzman) falou sobre a forma como fornecemos informação para as mídias sociais e como isso restringe ainda mais a bolha em que vivemos. Citou como exemplo as pessoas que postavam no facebook e twitter, especialmente, rejeitando comentários contrários aos seus pensamentos, por exemplo, "Se você continuar falando bem sobre Clinton e como a sua plataforma política será efetiva, pode se retirar"! Quem de nós nunca leu uma postagem parecida na sua timeline sobre os acontecimentos políticos no Brasil? Esse tipo de postagem "diz"para os provedores das mídias sociais que você só quer acessar conteúdo sobre a favor de Trump. Ou seja, você está indiretamente permitindo que o conteúdo que você acessa seja filtrado. Entretanto, muitos não percebem como isso limita o seu desenvolvimento crítico, a capacidade de empatia e análise de conjuntura.

No geral, a opinião geral é que tanto a mídia tradicional quando as mídias sociais tiveram papeis importantes nas eleições presidenciais. Chega-se a essa conclusão, tendo em vista que, por exemplo, o número de usuários do facebook hoje é 10 vezes mais do que em 2008, quando Barack Obama tornou-se o primeiro "Digital President". Em 2016, Donald Trump utilizou essas plataformas para contar suas próprias verdades e muitos eleitores acreditaram nelas. As mídias tradicionais tentaram convencer que não havia possibilidade de vitória para Trump, e o cenário apresentado no dia 9/11/2016 foi totalmente diferente.

segunda-feira, novembro 14, 2016

O método da cumbuca

Meu colegas de graduação sabem exatamente o que o título deste post significa. Em 2006 uma nova professora chegou ao Curso de Biblioteconomia da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Prof. Delsi Fries Davok com uma nova forma de ensinar para uma turma do terceiro ano, o método da cumbuca.

Cumbuca

Ao apresentar o plano de aula para o semestre, a diligente professora explicava que utilizaríamos o método da cumbuca em parte do semestre, quando seriam apresentados os seminários. Muito empolgada, a Prof. Delsi no explicava que a cada semana receberíamos designações de leituras para os seminário e todos deveriam ler os textos e estar preparados para discutir o texto em sala de aula. A cada encontro, o nome dos participantes seria colocado em uma cumbuca (daí o nome do método) e o sorteio seria feito no início de cada seminário. A pessoa sorteada seria a responsável por iniciar a mediar as discussões sobre o texto em questão. 

Nós, como alunos contestadores e mal acostumado que éramos, discordamos do método que a Prof. Delsi Frie Davok tão bem intencionada (hoje reconheço suas boas intenções) nos apresentava. Discordamos de tal modo que fizemos ela mudar de ideia. Os argumentos foram diversos: não tínhamos tempo para tanta leitura, a professora queria colocar em nossas mãos a responsabilidade pelas aulas, aquela não era a única disciplina que cursávamos, alguns culparam os filhos, o cachorro e o papagaio. Enfim, o método da cumbuca não foi utilizado.

Estou contando esta história porque tenho refletido a algum tempo o quão efetivo o método teria sido para a minha formação profissional e acadêmica. A verdade é que lembro do método da cumbuca desde as a aulas da Prof. Patrícia Marchiori, quando método parecido foi utilizado durante o mestrado na UFPR, em praticamente todas as aulas do doutorado na UNESP e, agora, nas aulas que estou participando como ouvinte na University of Washington (UW)

Minha perspectiva é diferente, hoje percebo que se estivesse aberta para esse método de ensino há alguns anos atras, minha forma de olhar os textos que leio hoje seria diferente. Tenho percebido que sou pouco crítica em minhas percepções sobre as leituras que faço, não que não possa ser desenvolvido, mas, esse seria o momento para essa habilidade estar presente em minha vida como acadêmica. Claro que isso também tem muito a ver com o modo de encarar o mundo dos americanos, tenho aprendido a cada segundo que converso com um colega, participo de uma discussão sobre um texto, filme, música. 

Portanto, você que quer ter uma visão mais ampla e clara do mundo, não reclame pelo número de páginas de um texto que o professor designar para leitura ou do método de ensino, antes reflita quanto ele pode contribuir para o seu aprendizado, quanto ele vai lhe impulsionar para você se tornar alguém mais crítico e com uma visão de muito mais ampla. Cobre de você mesmo, faça mais do que lhe é solicitado, faça mais e melhor do que tem feito, só assim suas metas serão alcançadas e seu esforço reconhecido.

Esta é uma forma de também prestar homenagem e agradecer a grande mestre que foi a Prof. Delsi. Muito obrigada!

segunda-feira, novembro 07, 2016

Qual o meu papel como pesquisadora para minimizar os preconceitos na academia e na ciência?

Estou assistindo como ouvinte à disciplina Faculty Seminar na iSchool da University of Washington como parte de minhas atividades como bolsista CAPES/Fulbright. Semanalmente temos um ou dois textos para ler e, durante a aula, um aluno apresenta, outro critica e a turma é responsável por participar do debate.

Desde a primeira aula passamos pelas mais distinta temáticas e. as questões de gênero, raça, ética e o papel da ciência sempre vem a tona nas discussões. O principal questionamento gira em torno do nosso papel como cientistas e pesquisadores para reconhecer e preservar a diversidade de pensamento, opinião, cultura, etc. Como não deixar a margem aqueles que sempre foram excluídos pela sociedade? Qual o nosso papel frente a tudo isso?

Pela primeira vez eu me questionei quanto a isso nas aulas do doutorado no ano passado, especificamente durante as disciplinas "Bases epistemológicas para a organização do conhecimento" com o Prof. José Augusto Chaves Guimarães e "Teoria Crítica aplicada a Organização do Conhecimento" com o Prof. Daniel Martínez-Ávila. Foi com esses professores que abri meus olhos para as questões éticas em organização do conhecimento e também na ciência. 

Não fazemos ideia, ou simplesmente fechamos os olhos em nossa prática diária para os sistemas de organização do conhecimento que utilizamos e toda a carga de preconceitos neles contidas.

Alguém já parou para analisar as diferentes edições da Classificação Decimal de Dewey e reconhecer como ela é carregada de "bias" e tem o poder de marginalizar inúmeros grupos importantes para a sociedade? Sim, Melodie Fox e Hope Olson fizeram isso muito bem. No Brasil, Suellen Oliveira Milani também estudou as questões éticas na organização do conhecimento.

Na aula de hoje, uma colega destacou que nosso papel como pesquisadores é ter autoconsciência ao escrevermos nossos textos. Precisamos refletir sobre o conhecimento que estamos transmitindo. Concordo com essa afirmação e, isso não quer dizer que alcançaremos objetividade na ciência, mas, podemos evitar os preconceitos em nossas comunicações. Acredito que também devemos questionar e, dessa forma, essa autoconsciência aguçará o espírito questionador para reconhecer quais autores estão presos a esses preconceitos. Mais do que isso, precisamos buscar voltar nosso olhar para o contexto de onde se fala e compreender o ponto de vista de outros pesquisadores a partir de onde eles falam, do seu espaço, sua vivência.

O nosso trabalho em bibliotecas também é carregado de subjetividades, na catalogação, classificação e indexação, por exemplo. O livro "The Power to name" da Hope Olson evidencia muito bem isso. Também precisamos de autoconsciência nessa atividade tão rica e cheia de poder como a autora descreve.

De certa forma essas discussões tem auxiliado para a formação do meu senso crítico e reflexão sobre suposições da minha pesquisa sobre epistemologia da organização do conhecimento. Todo autor carrega consigo influências epistemológicas que influenciam seu pensamento, sua forma de escrita, suas afirmações, etc. Mais do que isso, tenho despertado para estudar um pouco mais essas questões que estão tão presentes em nosso dia a dia e, como profissional, posso tentar mudar ao menos um pouco essa realidade.


sábado, outubro 29, 2016

Northwest African American Museum

Northwest African American Museun
African Americans é como são conhecimento os cidadãos americanos com descendência africana e em Seattle, WA nos Estados Unidos há um museu que tem como missão "espalhar o conhecimento, compreensão, apreço pelas histórias, artes e culturas da pessoas de descendência Africana para o enriquecimento de todos". O nome do museu é "Northwest African American Museum" e ele cumpre essa missão especialmente de duas formas:
- "apresenta e preserva as conexões entre o Noroeste Pacífico e pessoas de descendência africana e";
- "investiga e celebra as experiências negas na América por meio das exposições, programas e eventos".

Northwest African American Museun

Nesse período que estou passando em Seattle tenho como meta conhecer pelo menos um novo lugar a cada semana, pois minha experiência por aqui como Fulbrighter não é apenas acadêmica, mas, também cultural. Por meio do serviço Museum Pass, da Seattle Public Library, esta semana eu consegui um ingresso para visitar o Northwest African American Museum e foi uma experiência muito interessante.

Dados sobre a população afrodescendente no Noroeste Pacífico

O museu não e muito grande, "The Jorney Gallery" é onde fica uma exposição fixa contando a historia da vinda dos afro-descendentes para a Noroeste Pacífico com destaque para pessoas que se envolveram no cenário político, que alcançaram grandes conquista e pessoas comuns que vieram em busca de seus sonhos. É uma exposição belíssima, repleta de detalhes das dificuldades que essas pessoas encontraram, do seu esforço e contribuição para fazer a costa oeste americana o que ela é hoje.
Divulgação de uma palestra com Martin Luther King Jr.

Também tive a oportunidade de apreciar a exposição "Dance Theatre of Harlem: 40 years of firsts" e conhecer a história das pessoas que lutaram por seus ideais e pela sua paixão pela dança clássica. Compõem a exposição fotografias, trajes dos bailarinos, sapatilhas, livros, cartazes de divulgação dos espetáculos, cartas, etc. 

Traje usado em um dos espetáculos do Dance Theatre of Harlem

Em uma das cartas expostas, encontrei a descrição da ida do dançarino e coreógrafo Arthur Mitchell (1934-) para o Brasil. Ele criou a primeira companhia de balé afrodescendente nos Estados Unidos e sua ida ao Brasil se devia ao fato de ele ser o diretor, professor e coreógrafo do recém formado grupo de Balé Municipal do Rio de Janeiro, RJ.
Carta de Karel Shook

Recomendo a visita ao Northwest African American Museum, é um experiência de reconhecimento da história americana que se confunde com as conquistas dos afrodescendentes nas Américas como um todo. Inicia hoje, 29 de outubro de 2016, uma nova exibição "Black Bodies in Propaganda" que com certeza também será um sucesso.

Sala de Leitura
Ao final da visita, fui conhecer a loja do museu e me deparei com uma pequena sala de leitura e um Centro de Pesquisa Genealógica, perfeito para um lugar como esse e para quem quer conhecer suas raízes. 

Centro de Pesquisa Genealógica


Jimi Hendrix Park

E, do lado de fora fica o Jimi Hendrix Park, homenagem ao cantor, compositor e guitarrista nascido de Seattle, afrodescendente que se destacou no cenário musical internacional especialmente por suas habilidade inigualáveis com a guitarra. 

Jimi Hendrix Park