segunda-feira, setembro 26, 2016

Thesis Statement: dica para aperfeiçoar a escrita do seu artigo científico

Acervo da Seattle Public Library

Tive a oportunidade de cursar o Short Term English Program (STEP): orientation to academic skills na University of Washington, um curso de inglês de curta duração oferecido pelo Departamento de Estado Americano por meio da Comissão Fulbright Brasil

O curso era voltado para conhecermos melhor o sistema de ensino universitário americano, conhecermos as regras, atividades requeridas, como escrever de forma acadêmica, etc. Uma das dicas mais importante que a Instrutora Jennifer Haywood compartilhou conosco foi a importância de apresentar uma thesis statement nos trabalhos acadêmicos, especialmente, Response Papers, Artigos Científicos, etc.

Como bibliotecária, considero o resumo a parte mais importante de um artigo científico, pois, é a partir dele que qualquer leitor pode identificar a relevância ou não daquele documento para o que está buscando. Atualmente, a quantidade de informação disponível é assustadora e pode desviar qualquer um da sua rota facilmente e resultar em uma perda de tempo tremenda. Por isso os resumos precisam ser claros, objetivos e apresentar exatamente o que o leitor encontrará no artigo.

Uma thesis statement cumpre um papel parecido, consiste em uma declaração geral sobre o assunto que será abordado no artigo, geralmente é apresentada em uma frase no final do primeiro parágrafo introdutório do artigo. Todos os argumentos apresentados posteriormente deverão sustentar essa declaração. Segunda a explicação da nossa instrutora Jennifer, uma thesis statement possibilita ao leitor reconhecer se deve ou não continuar a leitura, é possível fazer um julgamento se o trabalho em questão interessa ou não para os objetivos de pesquisa do leitor.

Cito aqui dois alguns exemplos:

Título do artigo: Motivação dos docentes para publicar em periódicos científicos.
Thesis statement: As motivações para os docentes publicarem em periódicos científicos variam entre motivações pessoais, profissionais e acadêmicas.

Titulo do artigo: Formação de leitores na Rede Municipal de Ensino de Curitiba, PR.
Thesis statement: A formação de leitores deve começar no convívio familiar e ser intensificada na escola e biblioteca escolar.

Aqui você encontrará uma explicação da University of North Caroline sobre a thesis statement.

Considero essa dica fundamental, especialmente, para a escrita de artigos que serão submetidos em âmbito internacional. Coincidentemente, um dos meus artigos que passou por peer review no início de 2016 foi aprovado, mas, retornou com uma observação para eu inserir no início do artigo qual a contribuição do meu artigo e, a partir da explicação do revisor pude reconhecer que se tratava da famosa thesis statement.

Acho, inclusive, que devemos adotar essa estratégia para a escrita acadêmica como um todo, bem como para a leitura, pois poupa muito tempo do leitor e torna o artigo mais atrativo.

sábado, setembro 24, 2016

Fulbrighter em Seattle, WA

Há um mês saí do Brasil rumo a Seattle, Washington nos Estados Unidos. Desde o início dos estudos para participar dos processos seletivos para o doutorado sonhei com esse momento, quando teria a oportunidade de vir em busca de conhecimento, cultura. novos contatos, amigos, uma nova vida.

Vista de Seattle, WA a partir do Ferry que vai até Bainbridge Island
Não tenho dúvida que esse tipo de oportunidade é transformadora na vida de qualquer pessoa. Eu não imaginava que seria por meio de um edital (que por sinal está aberto para nova seleção) tão bacana quanto o da Fulbright Brasil com a CAPES.

As primeiras três semanas foram intensas, tanto nas aulas do curso de inglês quanto nas atividades extra classe no período da tarde. Aliás, recomendo fortemente o Short Term English Program da University of Washington para aqueles que buscam aperfeiçoar o inglês, conhecer novas culturas e pessoas de todas as parte do mundo.

Turma do Curso de Inglês na UW
Desde agosto os Fulbrighters da seleção 2016/2017 tem compartilhado suas experiências por meio do blog Fulwriters, convido todos a acompanharem as postagens, pois, são 25 bolsistas espalhados pelos EUA, teremos muitas coisas legais para compartilhar. Também compartilharei minhas impressões por aqui, especialmente aquela ligadas às informação, biblioteconomia, bibliotecas, livros e leitura em Seattle.

Lake Union - Seattle, WA




segunda-feira, março 07, 2016

O mercado de trabalho para o bibliotecário

Esta é a semana de comemoração do Dia do Bibliotecário e, particularmente, acredito que é hora de comemoração mesmo. Só esta semana vi na minha time line quatro grandes oportunidades de trabalho para a nossa área, não dá para reclamar!

O que desmotiva um pouco é saber que há poucos bibliotecários brasileiros qualificados para essas vagas. É preciso compreender que o tempo de aprender não termina no último dia da graduação, qualquer profissional que pretenda ter uma boa posição no mercado precisa buscar qualificação com foco nos seus objetivos futuros. Para isso há inúmeros cursos presenciais e a distância disponíveis para todos os perfis, profissionalizantes de acadêmicos. Basta procurar!

Vale destacar que algumas dessas vagas não indicam o bibliotecário como possível profissional, mas, a descrição da atividade a ser desenvolvida é diretamente relacionada a nossa atuação. Cabe a você, bibliotecário destemido, candidatar-se à vaga e mostrar o seu potencial.

São essas as vagas divulgadas na semana que passou:

Bibliotecário da CIA

Collection Development Manager – South America na EBSCO

Grammasters no Netflix

Analista Técnico em Curitiba

Pesquisa e Decupagem e Gestão do Acervo na Globosat 

quarta-feira, setembro 09, 2015

Percepção


Por : Denis Uezu

As qualidades desejáveis em gestores de bibliotecas, em minha opinião, tem sido mais ou menos as mesmas propagadas em reportagens e artigos de revistas de negócios e empresariais. Precisam ser inovadores. Líderes. Proativos. Ter visão estratégica, inteligência emocional  e outras qualidades que se alternam ano a ano (resiliência já saiu da moda?).  No entanto, é preciso cuidado para que essas qualidades não se tornem palavras vazias.

Tive experiências em gestão/coordenação de biblioteca escolar e em projetos técnicos em um museu. Atualmente, coordeno uma biblioteca universitária dentro de um sistema de bibliotecas em uma universidade pública. São experiências diferentes, com objetivos diferentes e equipes mais diferentes ainda. O que considero como essencial para desempenhar essas funções? Percepção.

Na prática: primeiramente é essencial entender a missão e os objetivos, em nível local (a própria unidade)  e macro (a organização na qual está inserida). Uma vez entendido, o que resta ao gestor é perceber. Perceber e agir, claro. Mas perceber o quê? Posso citar três itens que acredito serem essenciais:

a. As qualidades da equipe no todo e em sua individualidade e, a partir disso,  desenvolver competências, delegar tarefas de acordo com o perfil de cada um e manter todos motivados para que os objetivos da biblioteca sejam alcançados. Tarefas delegadas por fatores como tempo de casa ou preferências pessoais do gestor podem comprometer o andamento de trabalhos e projetos. Nem sempre é fácil e possível, claro, mas levar em consideração o perfil de cada um pode auxiliar bastante.

b. As demandas do público que a biblioteca atende. Parece óbvio, mas entender isso significa criar e gerenciar produtos e serviços voltados ao público e não fazer “biblioteca para bibliotecários”. Desenvolver maior e melhor integração entre setores/pessoas é essencial ou perpetuaremos, por exemplo, a eterna rivalidade entre referência e catalogação. Aqui também entra a percepção de limites. Limite esse que não deve ser considerado somente como limitante e sim como oportunidade para se estabelecer parcerias, eleger prioridades , avaliar e reavaliar práticas.

c. As demandas informacionais atuais e suas fontes cada vez mais diversas. Portal de Periódicos da Capes, repositórios institucionais e bases de dados específicos são fontes essenciais no ambiente universitário (caso específico), mas a informação pode estar além dos meios “tradicionais”. E conhecimentos em inglês ampliam consideravelmente as opções, não há como negar. A informação pode estar em um fórum do Reddit ou em um vídeo no YouTube. Explorar é preciso.

Gestores-bibliotecários: liderem equipes, sejam estratégicos e inovem. Mas não se esqueçam que equipes são pessoas, com virtudes e defeitos (gestor incluído!), e estratégias e inovações devem ter como finalidade o atendimento ao público da biblioteca.

quarta-feira, agosto 12, 2015

Somos todos pilares!


Após ler e traduzir a entrevista "Como se tornar um bibliotecário... líder", resolvi convidar meus amigos para escreverem sua opinião sobre o papel do bibliotecário como líder. Este é o primeiro de uma série de texto que publicarei semanalmente. O primeiro, é do Lucas Henrique Gonçalves, amigo e colega de trabalho que admiro e que tem se tornado um grande líder. Aproveite a leitura!


Somos todos pilares!


Um bibliotecário, para ser um gestor, não precisa ser necessariamente um líder. Mas, para ser um bom gestor, ou quiça ser um ótimo gestor, precisa sim ser um líder. Pela pouca experiência que tenho, como alguns falam já que tenho apenas uns cinco anos (completos em dezembro/2015) de atuação profissional como gestor (ou vulgo chefe) de biblioteca , eu me considero um bom gestor.

Um líder não precisa, necessariamente, que todos os colaboradores sejam seus “amantes” (sem conotação depreciativa) ou seguidores fieis, mas, tem que conquistar o respeito, prezar pelo dialogo e a abertura da possibilidade de desenvolver ações para atingir o foco principal da unidade que coordena.

Gosto de usar a analogia de que todos os colaborares são pilares que sustentam a unidade aonde atuam, ou seja, a queda de um, ou dois pilares talvez não cause o desabamento do teto, mas, pode enfraquecer a solidez e criar rachaduras. A queda de vários pilares, por outro lado, fará sim com que o teto desmorone e caia sobre todos os pilares (os que estavam de pé e os que já tinham caído). Mas, como manter os pilares de pé?

Acredito que para a eficiência da prática de uma boa gestão é necessário:

(i) o entendimento da visão sistêmica de que em uma biblioteca (ou qualquer unidade em que exista hierarquia) todos são colaboradores deste espaço, desde o gestor até os outros colaboradores (vulgos subordinados – expressão com a qual não simpatizo); 

(ii) que os objetivos da unidade sempre sejam priorizados diante dos desejos pessoais do gestor e dos colaboradores; 

(iii) que o tratamento (recompensatório ou punitivo - tiraria essas duas expressões) do gestor com os colaboradores deve ser igualitário, sem distinções por tipo de serviços e/ou proximidades pessoais; 

(iv) que ocorra o envolvimento com a vida pessoal dos colaboradores, mas de forma que não afete o andamento das atividades da equipe, mas que harmonize o ambiente trazendo o sentimento agradável (e quem sabe prazeroso) de permanência no local de trabalho.

Outro ponto que considero chave para um bom gestor é a personalidade, não relacionado ao “como se portar diante dos outros” (fato que é muito importante, mas que varia demasiadamente de pessoa para pessoa), mas, sim na maneira que o gestor consegue resolver problemáticas ou introduzir novas demandas, que podem afetar de forma brusca os procedimentos já existentes e principalmente a rotina de trabalho dos colaboradores, sem que haja queda de pilares.


segunda-feira, agosto 10, 2015

Contribuições de Birger Hjorland para a Organização do Conhecimento

Durante a disciplina "Bases epistemológicas para a organização do conhecimento" do doutorado em Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, ministrada pelo Prof. Dr. José Augusto Chaves Guimarães, aprendemos sobre alguns teóricos da área de Organização do Conhecimento.

Minha colega Natália Nakano e eu ficamos responsáveis por apresentar as contribuições de Birger Hjorland. Foi encantador aprender sobre esse autor que me acompanhará por toda a escrita da tese. Gostaríamos de compartilhar os slides da nossa apresentação.




domingo, agosto 02, 2015

Como se tornar um... bibliotecário líder

Hoje encontrei uma super entrevista com Ciara Eastell ao The Guardian sobre seu papel como líder pelas bibliotecas do condado de Devon na Inglaterra. Ela apresenta dicas preciosas sobre o papel de um líder em uma biblioteca. Como ocupo um papel de liderança na universidade onde trabalho, achei super relevante para minha atuação profissional. Ser um líder é um grande desafio e é preciso estar preparado, compartilho a entrevista com os colegas porque acredito que pode auxiliar na sua atuação e instigar a reflexão.

A possibilidade de traduzir a entrevista passou pela minha cabeça, mas, foi o empurrãozinho do Jorge Prado que me fizeram colocar a mão na massa. Obrigada, Jorge.

Agradeço ao Jorge Prado, Douglas Lenon e Klint Flecher por auxiliarem nas dúvidas durante tradução de alguns termos do texto.

Estou aberta às sugestões de melhoria da tradução do texto, podem enviar para o meu e-mail paula.carina.a@gmail.com

Boa leitura!


O esteriótipo da mídia de um serviço fora de moda em declínio está errado - ultimamente os bibliotecários devem ser líderes empreendedores bem atualizados.

Conte-nos um pouco sobre seu trabalho


Eu sou a responsável pelas bibliotecas, divisão de cultura e patrimônio do Conselho do Condado de Devon. Lidero um serviço com 50 bibliotecas, quatro bibliotecas móveis e três bibliotecas prisionais, bem como tenho a responsabilidade estratégica pelos serviços culturais e patrimoniais do condado. Eu também sou a presidente da Sociedade de Bibliotecários Chefes, que lidera e gerencia os serviços das bibliotecas públicas da Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte.


Bibliotecas são uma parte importante da vida da comunidade: nacionalmente há mais visitas às bibliotecas do que ao cinema e à liga principal de futebol combinados. Elas tem um papel importante na luta pela inclusão digital e, cada vez mais, as pessoas estão se voltando para as bibliotecas em busca de ajuda on-line para se candidatar a empregos, obter benefícios ou procurar por moradia.

Eu gosto do meu trabalho - lidero uma equipe realmente comprometida e engajada e respondo aos desafios de desenvolver serviços modernos e inclusivos em um momento de grande austeridade financeira. É tempo de repensar o papel das bibliotecas nas comunidades locais e explorar novas soluções para manter as bibliotecas. 

Muitas vezes o estereótipo da mídia é de um serviço fora de moda que está em declínio, mas a realidade é que as bibliotecas estão provendo grande ajuda necessária que se estende para além do seu papel periférico tradicional 

Quais qualificações você precisa para o seu trabalho?

Eu tenho uma graduação em Inglês e um Mestrado em Biblioteconomia. Eu adquiri muitas habilidades e qualificações durante os últimos 20 anos e fui uma membro do Clore Leadership Programme alguns anos atrás.

Quais outras habilidades e experiência ajudariam alguém a fazer seu trabalho?

Muito do que fazemos nas bibliotecas é baseado na colaboração e trabalho em parceria com outras organizações assim, a habilidade de intermediar e apoiar uma ampla gama de parcerias é fundamental. Em Devon, por exemplo, todo mês de Outubro nós colocamos em prática um programa chamado "Vida ativa, mente ativa", que encoraja os idosos a participarem de atividades gratuitas na biblioteca para impulsionar seu bem-estar ou ajudá-los a serem mais ativos fisicamente. Parcerias locais, com a saúde pública, organizações voluntárias e outras instituições municipais, como equipe de economia, são a chaves para maximizar o impacto desse trabalho.

Em um tempo de austeridade financeira significativa, é essencial que a coordenação das bibliotecas possa articular o que uma biblioteca pode oferecer para sua comunidade e demostrar como o serviço se alinha com as prioridades mais amplas do conselho, como reduzir o isolamento, aumentar o crescimento econômico ou ajudar as comunidades a se tornarem mais inclusivas. Também está se tornando mais importante os coordenadores de serviços de biblioteca serem empreendedores e conseguirem financiamento adicional ao do conselho.

Se você estivesse procurando pelo seu sucessor, como alguém poderia se destacar na entrevista?

Uma paixão genuína pelo serviço e comprometimento com os principais valores que sustentam as biblioteca para o acesso gratuito à informação e aprendizado, juntamente com a crença no poder dos livros e da leitura. Essa paixão, alinhada com competências de gestão e liderança sólidas, particularmente habilidades com finanças e experiência em liderança, adicionado a um instinto para parcerias e o entendimento de como o mundo digital está transformando a forma como as pessoas leem e aprendem, faria um candidato se destacar.

O que você gostaria de ter sabido quando você iniciou sua carreira?

Eu gostaria de ter sabido quão divertido seria trabalhar em bibliotecas e gostaria de ter relaxado um pouco mais.

Qual é o pior conselho que você já recebeu?

Nós recebemos poucos conselhos sobre carreira, quando eu estava na escola, e eu sinto muito agora que ninguém me ajudou a ver a vasta gama de trabalho que eu potencialmente poderia fazer. Eu sempre senti uma verdadeira paixão pelas bibliotecas públicas e não me arrependo pelas escolhas que eu fiz, mas eu sinto fortemente que o acesso à informação de boa qualidade e os conselhos são importantes para as pessoas em todos os estágios da vida. 

Fonte: The Guardian